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Willow Springs, 1972

09:05 Igor Damásio 0 Comentários Categoria : ,



Werner Schroeter é conhecido por suas histórias excêntricas e pelo uso de orquestras apaixonantes que compõem uma atmosfera trágica em suas cenas, além de ser um dos pioneiros do cinema homossexual. A arte do cineastra é subjetiva, muitas vezes até mesmo voraz para o telespectador ao qual não está habituado ao cinema revolucionário, isto é, que não tem medo de ousar em seus planos nem em suas histórias; cenas majestosas em cenários insólitos, atores como verdadeiras obras de arte, esculturas raras e bem moldadas, pinceladas, que desempenham suas funções com extrema perfeição ao som de orquestras que permitem a liberação da adrenalina sobre o telespectador como se o mesmo estivesse assistindo uma tragédia grega no ápice de seu clímax.

Willow Springs não é uma vertente da temática dos filmes de Werner. O cenário desértico californiano cheio de esplendor exótico: árvores com galhos secos, casinhas de madeira, bares noturnos onde não há vivalma para fazer eco, só as canções de coração partido e as bartenders esperando por um cliente qualquer. Nas cenas iniciais, temos o rompimento de uma inocência; Magdalena, contemplando o sol e as nuvens com seu vestido branco, quando, abruptamente, um homem à revelia com sua moto estaciona e a violenta sexualmente, deixando-a chorando, chorando e chorando. A quebra da inocência de Magdalena a torna um ser enigmático, com vestimentas escuras e poses teatrais. Suas discípulas fiéis, Christina, uma elegante mulher permeada por doçura e a dor de perder seu filho durante a gravidez, e Illa, jovem maltrapilha inocente, aprenderam com Magdalena, uma espécie de profetisa agora, a como exterminar toda a raça masculina que adentrarem em seu território recluso.

A chegada de um jovem aventureiro e sonhador desperta curiosidade nas três mulheres. Se por um lado, Magdalena avista uma oportunidade perfeita para que seu plano mais uma vez seja concretizado, Christina e Illa, por outro lado, encontram certo conforto na presença do rapaz. A inocente Illa, encantada por ele, vê-se em um detrimento com os ideais impostos por Magdalena, aos quais lembram ideais religiosos obsoletos.
As cenas naturalistas permitem que nós possamos ver cães e gatos transpassando naturalmente; irradiante orquestra enquanto Christina e Magdalena em algum tipo de ritual exotérico em contemplação ao sol.

Illa entrega-se ao jovem de corpo e a alma, mesmo na presença de Magdalena. O rompimento aqui, agora, é de um paradigma imposto. Ela se volta contra todos os ensinamentos da opressora Magdalena, como uma maré revolta num refluxo; Christina, aquela ao qual nada pode fazer a não ser assistir sua amiga discípula afundando-se e tentando lutar contra a maré, embora sabendo que não se pode lutar contra a maré, sempre sucumbirá e morrerá, assiste diluir-se o elo feminino com um gosto amargo em sua boca.

O filme ecoa a subjetividade feminina presente nas três personagens. A quebra do paradigma de Illa é um ponto evolutivo para o desenrolar dos fatos, a vontade de não permanecer mais como a maltrapilha nos recorda uma rebeldia juvenil que é marcada pela quebra de correntes ao qual instituições ou padrões nos colocaram durante a nossa infância. Werner nos apresenta uma tragédia grega com pitadas de humor surreal, um cenário cálido, típico da Califórnia e uma trilha sonora ao qual permite que o telespectador sinta-se sentado numa poltrona de um teatro extremamente dramático ao ar livre.

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